A escola pública como máquina de guerra

Janete Magalhães Carvalho

Resumo


Objetiva este artigo discutir a escola como dispositivo pedagógico no capitalismo contemporâneo. Discute como, na sociedade contemporânea, os corpos encontram-se atravessados por gigantescos processos de dessubjetivação, que visam à reprodução da máquina de governo das pessoas, das populações, das instituições – dentre, essas, as escolas públicas desconectadas da vida política, atuando como equipamento coletivo em relações regidas por automatismos, sem resistência ao instituído. Debate como Rousseau e Kant, por caminhos diferentes, deram suporte às duas grandes vertentes do pensamento pedagógico moderno e seus reflexos na configuração da atual escola pública. Defende a possibilidade de a escola pública atuar como máquina de guerra, movimentando nosso pensamento e nossas ações para outros modos de estar escola e coletivo. Apresenta como possibilidade o caso brasileiro da escola pública como máquina de guerra: a escola pública aprendente de Paulo Freire.

 

Palavras-chave


Escola pública; dispositivo pedagógico; equipamento coletivo; máquina de guerra; pedagogia freireana.

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DOI: http://dx.doi.org/10.20435/serie-estudos.v24i50.1196

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ISSN online: 2318-1982 
ISSN impresso: 1414-5138 (até n.34, jul./dez.2012)

 

 


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