Acolhimento às diferenças e temporalidades dos sujeitos: implicações curriculares na constituição do tempo escolar

Palavras-chave: tempo escolar, acolhimento às diferenças, curr´ículo

Resumo

O texto objetiva estabelecer relações entre o acolhimento às diferenças e temporalidades dos sujeitos, observando implicações curriculares daí emergentes e seus efeitos na constituição do tempo escolar. Do ponto de vista metodológico, adotaram-se princípios da pesquisa (auto)biográfica e a entrevista narrativa como dispositivo de pesquisa. No modelo curricular, ainda vigente, a expectativa é de que o sujeito internalize formas de controle do tempo, a fim de convertê-lo num corpo dócil e previsível, em relação a suas ações, de modo que todos se tornem parecidos, apesar de suas diferenças. Destacamos, como resultado da pesquisa, a necessidade de as políticas curriculares considerarem a reação do outro, que não se submete a um modelo curricular pronto, baseado na imposição de uma sincronização, com a justificativa de socialização, de inserção no mercado, de preparação para a vida e necessidade de acolhimento às diferenças e suas temporalidades, a fim de garantir a oportunidade de pensar a educação, a partir da coexistência e interação da diferença.

Biografia do Autor

Elizeu Clementino de Souza, Universidade do Estado da Bahia (UNEB)

Doutor e mestre em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (FACED/UFBA). Graduado em Pedagogia pela Universidade Católica de Salvador. Pesquisador 1C CNPq. Professor titular do Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade pela Universidade do Estado da Bahia (PPGEduC-UNEB). Coordenador do Grupo de Pesquisa (Auto)biografia, Formação e História Oral (GRAFHO/UNEB). Pesquisador associado do Laboratoire EXPERICE (Université de Paris 13-Paris 8). Tesoureiro da Associação Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica (BIOgraph). Diretor financeiro da ANPEd (2013-2015). Membro do Conselho de Administração da Association Internationale des Histoires de Vie en Formation et de Recherche Biographique en Education (ASIHIVIF-RBE). Editor da RBE/ANPEd, RBPAB e da Revista da FAEEBA.

Ana Sueli Teixeira de Pinho, Universidade do Estado da Bahia (UNEB)

Mestre e doutora em Educação e Contemporaneidade pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Graduada em Pedagogia pela Universidade Católica do Salvador. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa (Auto)biografia, Formação e História Oral (GRAFHO/UNEB).

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Publicado
2021-06-10
Seção
Artigos